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13 de março de 2012

Piquenique de março de 2012


Domingo nublado foi aquele chove-não-chove até o tempo firmar um pouco e todo mundo tomar coragem de ir pra praça. Foi estranho fazer piquenique sem a Veronika, que ficará em Barcelona por um ano. Começamos esta estória juntas e muitas das pessoas que se juntaram a nós chegaram através dela. Mas foi gostoso, vamos estreitando os laços daqueles que sempre vieram. Adriana trouxe batatas assadas com alecrim. Fátima, os tradicionais sanduichinhos para adultos e crianças. Fabiana e Edu, salada de arroz integral com atum, pão de banana-da-terra. Lula, torta salgada. Kika, antepasto de berinjela, tabule. E eu, pão de abóbora, salada de abóbora com mostarda e limonada com ervas. Além disso,  frutas, sucos,  café.

Quando estávamos já bastante animados, ligamos para a Veronika pelo Skype e ela pode participar um pouco. E amenizamos a saudade. Como ela me disse há pouco, o importante é mantermos a tradição. Em fevereiro foi impossível - mês curto, chuvas, compromissos. Mas no mês que vem estaremos lá!  



Não sei se chegarão receitas para eu publicar - por favor, meninas! Pelo menos do pão e da salada, postarei aqui.  Por enquanto, só as fotos. 












6 de março de 2012

Piquenique de aniversário

 (na hora do parabéns, durante os poucos segundos em que o chapéu ficou sobre a cabeça)

A bem da verdade, foi a Eliane, aquela amiga querida da receita do bolo de abóbora, quem inaugurou a tradição: o aniversário dos seus meninos lindos em geral era comemorado num belo piquenique, numa das mesas do parque da Água Branca. O mais velho, Cauê, já fazia uns seis anos quando ela teve que se render ao sonho que ele tinha de ter uma "festa de salão". Era sempre uma delícia - comidinhas gostosas e saudáveis, a meninada correndo e aproveitando os brinquedos do parque, as galinhas d'angola amontoadas pelos cantinhos dos prédios... acho que o mais gostoso de tudo era que a alegria das crianças, num espaço amplo daquele, era pura festa.

Assim, agora que a Eliane foi com a família toda morar em João Pessoa (que saudade!), a Paula e o Sérgio resolveram continuar a tradição e comemorar o primeiro do ano da fofura que é o Francisco num piquenique, no Parque Villa-Lobos. Aliás, pelo que me contaram, fazer piqueniques tem sido um ótimo programa, dividido com outros pais, com filhotes da mesma idade. E deve ser mesmo, pois tem coisa melhor que se esparramar pela grama, treinar os primeiros passos no amplo e macio, ter a companhia de outros amigos?

(Francisco oferece um pãozinho à amiga Clara)

O piquenique foi uma delícia, bem à moda desses do Piperca: tranquilo, animado, sem pressa. E eu fiquei muito feliz de poder reencontrar a Paula, já que a correria dessa cidade faz o tempo passar rapidinho e quando a gente vê, o recém-nascido que a gente foi visitar já tem um ano!


Quando a gente tem filhos, mora em apartamento, numa cidade desse tamanho, acho que uma das coisas mais gostosas de estar nesses espaços é poder estar perto deles de uma outra maneira. Foi o maior barato ver o Francisco ensaiando seus passos de mãos dadas ao pai, levando-o aos lugares que chamam sua atenção, confiando que seria possível correr atrás do cachorro que passava... quando penso em imagens de maternagem/paternagem [alguém poderia arrumar um equivalente em português para parenting, por favor?), em geral penso nas mãozinhas dadas nesses momentos; no corpo que se encosta distraído, mesmo depois de "crescido", quando as pernas e braços transbordam o colo; na generosidade de partilhar uma descoberta. E de um jeito que é cotidiano, num lugar que é familiar, o que confere sentimento e sentido ao espaço ao redor da gente. "Domar" a cidade, esse bicho estranho e selvagem, acostumando-nos com ela, fazendo-a se acostumar com a gente: acho que é esse desafio que os piqueniques ajudam a enfrentar.

 (quer alegria maior que essa, de encontrar em quem se confia, as mãozinhas entre a escora e o carinho?)

(será uma lagarta de língua de fogo? será que alguém estava fumando no parque? serão os ETs que chegaram à São Paulo?)

(não! são o Rodrigo e a Raquel fazendo experimentos com a lupa!)


Um ano da família querida aumentada merece mesmo uma comemoração linda como essa. Que venham muitos outros piqueniques! Parabéns, Francisco!

2 de fevereiro de 2012

arejar raízes

mudar de casa, de cidade, de país, mudar de língua e hábitos é bom, é como arejar as raízes de uma planta, trocar a terra, o alimento. faz a gente relembrar que na vida tudo é transitório, embora nem sempre tudo seja transitivo. o melhor é que nos faz olhar para pequenas coisas da rotina que nos são muito preciosas. os caminhos por onde se passa, o passar das estações, a banca de jornal que se conhece, o peixeiro, as ervas que crescem nas calçadas, a hora que os vizinhos passam na rua, os cheiros das tantas partes da cidade por onde se anda sem nem olhar os mapas.
e uma nova rotina vai se configurando lentamente. o clima é outro, os cheiros, os vizinhos, o gosto da água.
nesse movimento entre o antigo e o novo, entre o que se tem como certo e o incerto que se descortina, há as pequenas despedidas. a vida é um novo dia a cada vez e a cada vez pequenas despedidas do que não somos mais, do dia que termina, as pessoas que vêm e vão.
uma dessas pequenas despedidas foi a despedida do piquenique perto de casa. claro que há muitas casas e muitos lugares perto de casa e muitos piqueniques. mas vai fazer falta encontrar as pessoas. são todas conversas que se desfiam lentamente ao longo do tempo, raramente conversas rápidas. e porque são conversas que se desfiam, são laços que se constroem lentamente também, pequenos fios a nos atar delicadezas.
como milenarmente fazem os humanos, o encontro envolve o comer, o experimentar sabores, cheiros diferentes que cada um traz de sua casa e coloca ali, no coletivo. o piquenique tem sido o espaço de cada mês de partilhar o humano que somos e ali vivenciar o que é público e coletivo. ninguém é melhor nem pior quando está num piquenique. cada um vai se quer e quando quer. cada um leva o que pode levar e às vezes nem leva nada. e também isso é bom. há quem apareça uma vez e nunca mais. há quem participe de todos. há quem nem venha mas acompanhe as histórias, as comidas, as receitas e as chuvas que tantas vezes nos fazem correr para casa. desses muitos piqueniques perto de casa que se inserem no nosso piquenique perto de casa que sentirei falta.
virão outras possibilidades, outras descobertas do que é uma cidade dentro da cidade, outras vivência do coletivo, do público. e virão as visitas. e poderemos fazer piqueniques perto de casa estando todos longe de casa. e poderemos rir, abraçar, retomar as conversas em seu fio sem meada.
depois, será o tempo de voltar, lembrando que nunca nada volta, porque somos sempre outros e sempre outro o mesmo rio.
até lá, que venham as receitas. entrarei cada dia a ver se reencontro na página os cheiros e as cores das nossas praças tão perto de casa.

27 de janeiro de 2012

Piquenique de janeiro de 2012


As bolinhas de kefir (1 e 2) foram feitas pela Veronika, que a esta hora está bem longe - viajou ontem com a família para Barcelona, onde vão morar por um ano, graças a uma bolsa de pesquisador para o Ricardo. Sentiremos muita falta e combinamos que o próximo piquenique terá participação virtual da família via Skype.  Por isto este último piquenique estava com cara de despedida. Havia muita gente que veio especialmente para dizer tchau, mas também para comer, beber e prosear. O chão estava ainda molhado da chuva de sábado, mas nos arranjamos sobre o tijolo do coreto e felizmente não choveu. Quando fui embora ainda chegava gente, gente nova e já freguesa,  para animar a festa pipocada de crianças. Teve até caldinho de feijão muito quente com pimenta e coentro levado pela Mônica. Aliás, Mônicas M. se destacaram. A primeira, Monica Machado, pelo caldinho de feijão; a segunda, Monica Montenegro,  porque chegou com uma cesta de mangas do seu quintal e, por fim, a Monica Manir, minha amiga, porque que veio ao piquenique pela primeira vez - trazendo frutas. 












Mônica Montenegro com mangas do quintal

22 de dezembro de 2011

Piquenique de dezembro de 2011



No último domingo teve piquenique. O de outubro aconteceu no final do mês, logo chegou novembro e, entre tarefas de fim de ano, viagens e gripes, muita coisa aconteceu na vida de todos nós, de modo que o piquenique de novembro escorregou e ninguém viu. Quando demos conta já era dezembro. Mas voltamos com saudade, menos atarefadas, com comidas frescas e sucos de verão.  Pães de frutas, refresco de hibisco, chá gelado, suco de laranja, coalhada de kefir, pão de linhaça, de amendoim, cuscuz marroquino em salada, bolos de chocolate, abacaxi com menta, lichia, baobá e muita conversa boa, à toa, séria, de rir. Até o fim da tarde, quando a chuvarada chegou anunciando o fim da farra.  E janeiro tem mais! 





















4 de novembro de 2011

Torta de Banana



Mais uma receita de torta de banana! Mas é que o cheirinho da banana misturada com canela, pelo menos pra mim, tem muita cara de café da manhã. Além disso, eu tinha uma dúzia de bananas nanicas bem maduras, precisando ser urgentemente usadas...

Essa receita, aprendida com a minha mãe, é ótima: fácil de fazer, rápida, leve e muito gostosa!

Torta de banana. De Fabiana Jardim

1 dúzia de bananas
10 colheres (sopa) de açúcar
10 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento químico em pó
canela em pó para polvinhar
manteiga
2 claras de ovos

Modo de fazer
Numa tigela, misture a farinha, o açúcar e o fermento. Corte as bananas no sentido do comprimento, fazendo três ou quatro fatias. Numa forma de cerâmica (ou pirex de vidro) untada, faça uma camada de bananas, polvinhando com a mistura de farinha/açúcar/fermento. Em seguida, polvilhe também canela e espalhe pequenas (cerca de meia colher de chá) lascas de manteiga pela camada. Faça outra camada de bananas e o mesmo procedimento.
Eu costumo fazer três camadas.
Quando a forma estiver completa, bata as claras em neve - eu também coloco um pouquinho de açúcar, para fazer um quase-suspiro - e espalhe, delicadamente, por cima das bananas. Leve ao forno por 20 a 30 minutos ou até dourar. Fica mais gostosa ainda gelada!

3 de novembro de 2011

Gobô com ervas finas



Por Eduardo Izumino 

Gobô ou bardana é uma raiz muito comum na comida dos nipo-brasileiros. Aqui em São Paulo é relativamente fácil de encontrar nas feiras, em alguns supermercados e, claro, nas mercearias do bairro da Liberdade. Também é relativamente possível encontrar o gobô já pronto, em uma espécie de saladinha/conserva, em companhia de cenoura e sementes de gergelim. Ele também recheia makisuhis e outros tipos de sushi. Acompanha ainda aqueles obentôs comprados prontos. Quando chegou a hora de pensar no que levar ao piquenique, o maço de gobô comprado no varejão do Ceasa pela pechincha de R$3,00 foi a salvação

Minha mãe, que eu me lembre, prepara o gobô apenas cozido e temperado com molho shoyu, ou então no tempurá. Também lembro dela já ter feito com carne, com frango, nos bolinhos de legume, no mazegohan, yakimeshi... Meu palpite é que o único cuidado é cozinhar o gobô mais ou menos 20 a 30 minutos, para ficar ‘al dente’ mas também macio o suficiente. Pensando melhor, há outros cuidados sim: deve-se ter alguma paciência para descascar e cortar as raízes e, dependendo da variedade do gobô, ele pode deixar seus dedos manchados por algumas horas.

A receita, mesmo, foi cortar o gobô descascado em tirinhas transversais, cozinhar os citados minutos, escorrer e refogar com azeite de oliva, uns dois dentes de alho picados, uma colher de chá de sal, uma colher de chá de gengibre picado ou ralado. Quando tudo estava bem quente, uma colher de sopa de mirin (saquê de ‘cozinhar’). Depois de desligado o fogo, acrescentei salsinha e cebolinha picada bem fininha – as tais “ervas finas”, ora, menos de origem que de forma. O resultado, quando chegou no piquenique, foi um gobô mezzo japa mezzo Alto da Lapa, que foi servido frio nas saladinhas mas eu, por exemplo, comi com pão. Claro que quem quiser tentar pode temperar como quiser. Tradicionalmente, como o que se come nos restaurantes, leva óleo de gergelim, shoyu, mirin, açúcar, e gengibre, além das sementes de gergelim.

Reza a lenda (lenda reza? perguntaria meu filho...) que além de muito gostoso o gobô tem propriedades afrodisíacas, entre outros usos. Parece não haver comprovação científica dos efeitos libidinosos, entretanto. Mas, a favor da lenda, podemos perguntar qual a comprovação científica do cineminha, jantarzinho...

1 de novembro de 2011

Rocambole de espinafre da Mônica




Rocambole de espinafre. Receita de Mônica Montenegro

1 maço espinafre orgânico (se pequeno, use 2)
3 ovos (se usar 2 maços, use 4 ovos)
1 colher (sopa) de manteiga 
½ cebola
Cheiro verde
Sal

Coloque as folhas do espinafre já lavadas no vapor até darem a primeira amolecida (se não for orgânico ou se preferir ferventar, deverá retirar o excesso de água do espinafre - pode apertá-los entre dois pratos)

Coloque aos poucos no liquidificador todos os ingredientes e bata até a mistura ficar homogênea.
Em uma assadeira retangular e grande forrada com papel manteiga despeje a mistura e ponha para assar em forno médio por 20 minutos ou até ficar firme

Vire a massa assada sob um pano de prato limpo ainda quente. Recheie com o que quiser: eu usei cenoura ralada e mussarela, mas pode ser também salmão defumado!  Ou ricota com uva passa.
E como diz a Neide: nhac!

Ah, enfeitei com brotos de feijão só escaldados e temperados junto com tomatinhos cereja.
Ah 2 – os talos podem ser aproveitados batidos numa limonada com manjericão!! Que também estava no piquenique.

palitinhos de quebra-galho

o piquenique do dia vinte e três foi o primeiro piquenique da joice. ela chegou com lício e ana, trazendo uns palitinhos de queijo e dizendo não sei fazer muita coisa, mas trouxe isso... não sobrou nem um palitinho para contar história ou para testemunhar o momento em que caiu uma chuvinha de flores amarelas e eu olhei para cima e disse que linda chuvinha de flores amarelas e um galho enorme caiu na minha cabeça. mas a joice e o lício – e várias outras pessoas, todas muito solidárias e de olhar assustado para a minha testa inchada – estavam lá. logo no primeiro piquenique trazer uns palitinhos tão gostosos e ficar até o fim é muito legal. mas o mais legal foi rapidamente ter nos mandado a receita. só não postei antes porque ainda não sou duas. um dia, se cair mais um galho desses, acho que me parto em dois pedaços. talvez o tempo dobre e se desdobre. talvez eu me torne um personagem do ítalo calvino...
bom... vamos aos palitinhos.

palitinhos de queijo da joice


ingredientes:
2 xicaras (chá) farinha de trigo
1/2 colher (chá) de sal
2 colheres (chá) de pó royal
100 g de margarina
150 g de queijo parmesão ralado
1 ovo batido
2 colheres (sopa) de água

modo de preparar:
peneire junto a farinha, o sal e o pó royal. junte a margarina e misture até formar uma farofa. acrescente o ovo, água, amasse e, por fim, acrescente 100 gramas do queijo ralado.
amasse até a massa desgrudar de suas mãos.
abra a massa, faça tirinhas e passe no restante do queijo ralado.
coloque em forno médio até dourar.

31 de outubro de 2011

Bolo de chocolate da Priscila




O bolo fez a alegria dos que ainda estavam na praça no fim da tarde do piquenique de agosto. A Veronika encontrou a receita em um comentário feito pela Priscila e eu, Neide aqui falando, a encontrei agora lá perdida nos rascunhos. Incluí a fotos que tirei e acrescento o elogio que justifica o fato de a receita aparecer aqui, ainda que tardiamente: cheiroso, delicioso, lembrava brownie. Portanto, pode fazer do jeito que a Priscila fez que dá muito certo.  Com a palavra, a autora:

Aqui vai a receita do bolo de chocolate que todos comeram de repetir e que me deixou toda feliz:
pesquisei um monte de receita, planejei tudo direitinho, mas como entre a teoria e a prática lá se vão uns 500 metros de distância, pelo menos cá comigo, fiz mesmo foi um bolo muito estranho, cuja receita pedia quatro xícaras de nescau, mas eu coloquei uma só, de cacau, porque o cacau que eu tenho aqui é muito forte, e ainda assim acho que foi demais. iam ainda seis ovos, que eu esqueci de ver se tinha, e por isso foram só três, mas pra compensar eu coloquei castanha do pará e amêndoa, reguei com suco de laranja, fiz uma ganache meia boca pra cobrir, joguei raspinhas de laranja por cima, ai, ai, o cheiro está ótimo, mas de gosto, sei não, e agora que todo mundo já deve estar indo embora, lá vamos nós pro piquenique.  Priscila

Bolo de chocolate. Por Priscila Moreno

1 e 1/2 xícara de farinha com fermento (mas a que eu usei não tinha fermento)
1 e 1/2 xicara de açúcar
4 xícaras de nescau (eu usei uma de cacau)
6 ovos (só usei os três que tinha na geladeira)
200 g de manteiga (usei uns 125 gramas)
1 e 1/2 xícara de leite
Sumo de 1 limão (usei de laranja)
1/2 colher de bicarbonato

Misture os secos, bata os ovos com a manteiga, esquente o leite, coloque o suco do limão, vá juntando tudo. aí coloque as castanhas "da amazônia", as amêndoas e leve ao forno. Depois regue com suco de laranja, cubra com ganache de chocolate e salpique raspinhas de laranja.

25 de outubro de 2011

Pão com caldo de cana


Em Piracaia já descobrirmos um lugar especial para parar antes de voltar para São Paulo. É no apiário C.A (11-9553-2759, email: ca.caixaparaabelha@yahoo.com.br) , que fica no anexo da Casa do Artesão, já na saída da cidade. O simpático casal de apicultores, Alexandre e Rosângela,  vende não só o mel que produz, mas também doces, geleias e queijos provolones da região. E ovos das próprias galinhas caipiras que criam em casa.  Gostamos de parar e tomar um caldo de cana antes de seguir viagem. Neste último sábado, pedimos também pastel de feira, uma delícia. O caldo é tirado na hora com asseio, de uma cana bem limpa. Pode ser com limão ou abacaxi e sempre tem um chorinho. Só acho que merecia um copo de vidro. Eu estava com tanta sede no sábado que me empolguei e comprei um litro para trazer. Mas caldo de cana só é bom na hora. Depois, acaba um pouco a graça, a gente acha muito doce, a sede passou. Como precisava fazer um pão para o piquenique de domingo, resolvi usar o caldo em vez de água para um pão salgado com flocos de centeio e cobertura de castanhas, que era o que eu tinha de diferente em casa. Assim foi feito. A crosta ganhou um dourado bonito e o sabor saiu ligeiramente adocicado, equilibrando o sal. O levain, eu já havia reformado pela manhã. Estava vivo, alegre, espumoso. Sovei a massa à noite e deixei crescendo até o outro dia, quando moldei os pães, deixei crescer mais um pouco e assei por uma hora. Chegaram ao piquenique ainda quentes.  À receita, pois: Antes, algumas dicas. Talvez para maioria dos leitores o mais fácil seja seguir o item 2.  

1. Para o levain (fermento natural): se você já tem um fermento natural, apenas reforme-o algumas horas antes (eu reformo sempre com antecedência de 6 a 12 horas) com mais farinha e água em quantidade suficiente para que fique com consistência de massa de bolo e que tenha quantidade suficiente para você usar 300 g (cerca de 1,5 xícara) e ainda sobrar para a próxima vez que for fazer pão. 

Caso não tenha o levain, faça assim
2. Se você não tem levain: faça uma mistura com 1 envelope de fermento biológico para pão (10 g), 130 g de farinha de trigo branca ou integral (cerca de 1 xícara) e 180 ml de água (3/4 de xícara), lembrando que uso sempre xícara padronizada para cozinha, de 240 ml.  Misture bem - vai ficar com consistência de massa de bolo mais firme. Deixe em repouso durante meia hora e use no lugar do levain. 

3. Se você quer começar a fazer seu próprio fermento: faça seu levain usando a mesma mistura indicado no item 2, sem o fermento biológico. Cubra com filme plástico e espere fermentar - em dois ou três dias, no calor, já estará fermentado. Reforme com mais farinha e água, como indicado no item 1. 


Pão com caldo de cana com flocos de centeio 

300 g (ou 1,5 xícara) de levain reformado ou fermento preparado como indicado no item 2 nas dicas acima 
2 xícaras de caldo de cana 
1 colher (sopa) de sal 
Farinha de trigo (mais ou menos 900 g) 
1 xícara de flocos de centeio 
1/2 xícara de azeite 
1 ovo 
Para cobrir: 2 colheres (sopa) de flocos de centeio e 2 de castanhas-do-pará picadas

Numa bacia, coloque o levain, o caldo de cana, o sal e parte da farinha suficiente para ficar com consistência de massa de bolo bem firme. Misture bem com colher de pau. Junte os flocos de centeio, o azeite e ovo e misture bem. Espere  uns 20 minutos para que os flocos fiquem hidratados. Continue o preparo juntando mais farinha de trigo aos poucos, até ficar difícil de mexer com a colher. Sove com as mãos, juntando farinha sempre que precisar, até a massa ficar homogênea e não grudar mais nas mãos. Cubra a bacia com plástico e deixe a massa crescer até dobrar de volume (se estiver usando levain, pode amassar à noite e deixar crescendo até a manhã seguinte; se escolheu o item 2, fique de olho até que dobre de volume - isto pode levar de 1 a 4 horas, dependendo da temperatura ambiente). Divida a massa em quatro pedaços, modele os pães, molhe a superfície com água ou caldo de cana e role-os sobre os flocos e as castanhas espalhadas numa superfície.  Coloque-os separados em uma assadeira grande untada e enfarinhada. Cubra com pano, espere crescer novamente, faça cortes com lâmina fina (gilete, estilete, bisturi)  e leve para assar em forno pré-aquecido bem quente (300 graus mais ou menos), por cerca de 10 minutos. Diminua a temperatura para 180 graus e asse por mais 50 minutos. 

Rende: 4 pães 

Nota: se quiser, substitua parte da farinha de trigo branca por farinha integral ou de centeio, em até 50%. Você pode também juntar castanhas à massa. 

Passe manteiga e nhac! Em casa ou no piquenique