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21 de setembro de 2010

Cookies de banana e aveia


Com estes cookies de banana da Fabiana, nenhuma criança vai ficar querendo biscoitos recheados, engordurados e açucarados de pacote pra levar pra escola. Nem adultos, para comer no lanche. No piquenique, então, a gente quer é mais cookies como estes. Ela já deu a receita em seu blog Noturnos Imperfeitos, mas repetimos aqui, com foto:
Cookies de banana e aveia. Por Fabiana Jardim
1 xícara (chá) de manteiga
2 colheres (sopa) de água
1 e 1/2 xícara (chá) de açúcar mascavo
1 xícara (chá) de açúcar cristal

1 banana amassada
2 xícaras (chá) de farinha de trigo (branca, integral ou meio a meio)
1 colher (chá) de fermento em pó

2 xícaras (chá) de aveia em flocos finos
Numa tigela, junte a manteiga, a água, os açúcares e a banana amassada. Em outra tigela, coloque a farinha, o fermento, a aveia e misture bem. Feito isso, misture todos os ingredientes formando uma massa homogênea. Unte uma assadeira grande e pré-aqueça seu forno. Enquanto isso, vá fazendo bolinhas, achate-as e depois as coloque na assadeira. Leve para assar em fogo baixo por 15 minutos e, assim que as bordas dos cookies ficarem douradas, é hora de tirá-las. Você pode também acrescentar na massa gotas de chocolate (granulados costumam ressecar), passas ou nozes.

20 de setembro de 2010

Bolo de tapioca


Estava muito bom este bolo. E só agora fiquei sabendo que o Daniel Brazil o fez com a goma pronta pra fazer beiju de tapioca, hoje facilmente encontrada nos mercados em São Paulo (pelo menos nos sacolões e mercados públicos). Se você não encontrar, é só hidratar polvilho doce com água na proporção de meio litro de água para 1 quilo de fécula e use a quantidade indicada na receita. Ou pode cobrir o polvilho com água, deixar hidratar, escorrer a água e secar a superfície. Ou ainda ralar a mandioca, espremer, deixar o amido sedimentar, escorrer e usar. Se quiser saber mais, já dei um passo-a-passo da mandioca à goma (fécula, polvilho) no Come-se.
Veja o que diz o Daniel: Comecei a ver nos supermercados de São Paulo uma “goma de mandioca hidratada”. Ou seja, a tapioca pronta pra fazer. Depois de testada e aprovada na frigideira, me deu vontade de experimentar a matinal receita nordestina de bolo de tapioca. As receitas encontradas na internet giram em torno de pequenas variações. O tradicional bolo de tapioca é algo entre um pudim duro e um bolo. É feito pra ser comido no dia, ainda quentinho. No dia seguinte fica mais borrachudo, embora o sabor permaneça.
Bolo de tapioca. Por Daniel Brazil
4 ovos
2 xícaras de açúcar
1 xícara de manteiga
1 xícara de farinha de trigo
2 colheres (chá) de fermento químico em pó
3 xícaras de tapioca (previamente umedecida e escorrida, se for comprada seca)
1 xícara de leite
200 ml de leite de coco (uma garrafinha)
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
Quebre os ovos na batedeira e bata até ficarem homogêneos. Adicione o açúcar, a manteiga, a farinha de trigo e o fermento. Depois de bem misturados, desligue a batedeira e adicione os outros ingredientes, mexendo com uma colher de pau. Coloque numa forma untada e polvilhada com farinha de trigo, e asse em forno quente, a 220ºC. Após 40 minutos, deve estar dourado. Enfie um palito e veja se sai sequinho. Se não, deixe mais um pouquinho. Várias casas do Nordeste brasileiro polvilham coco ralado em cima antes de servir. Experimente!

17 de setembro de 2010

Salada de pepino com iogurte


Outra receita que levei ao piquenique. Conforme passa o tempo ela fica ainda melhor e mais refrescante. É claro que é uma mistura indo-arábica, mas juro que funciona. Comeram com pão.
Salada de pepino com iogurte
2 pepinos japoneses descascados e cortados em fatias finas
1 colher (sopa) de sal
1 colher (sopa) de açúcar
1 cebola roxa média picada
2 tomates sem sementes picados
2 colheres (sopa) de hortelã
4 colheres (sopa) de salsinha
1 pimenta dedo-de-moça picada ou 1 pitada de pimenta seca (opcional)
1 colher (chá) de grãos de coentro e de cominho tostados e triturados grosseiramente
1 potinho de iogurte natural
2 colheres (sopa) de azeite
Coloque o pepino numa tigela e cubra com sal e açúcar. Misture e deixe repousar enquanto separa os outros ingredientes. Esprema o pepino para que se livre de todo o líquido que soltou e junte os demais ingredientes. Prove e corrija o sal, se necessário.
Rende: 4 porções

16 de setembro de 2010

Salada de batatas com mostarda e nozes


Poderia ter feito com batatas orgânicas e com molho de mostarda comum, amarelo. Mas acabei usando as batatas Asterix, de casca cor de rosa, que comprei no mercadinho do Seu Emílio e a mostarda escura da Heinz que tinha na geladeira. Ficou gostosa.
Receita parecida já dei aqui no Come-se. Lá usei folhas de raiz forte que ganhei da Veronika, mas aprendi esta receita com folhas de mostarda mesmo. E assim o fiz, aqui com algumas pequenas modificações:
Salada de batatas com folhas de mostarda. Por Neide Rigo
1 kg de batatas de preferência orgânicas
100 g (6 folhas) de mostarda picadas grosseiramente
6 colheres (sopa) de mostarda preparada
4 colheres (sopa) de azeite de oliva extra-virgem
40 g ou 8 nozes picadas
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Limpe bem e tire machucados das batatas, mantendo pelo menos parte das cascas. Corte em pedaços regulares. Coloque 1 litro de água e 2 colheres (chá) de sal numa panela e leve ao fogo. Quando ferver, coloque as batatas e cozinhe por cerca de 15 minutos ou até que estejam cozidas, mas ainda firmes. Escorra e espere esfriar. Se preferir, cozinhe no vapor. Coloque a mostarda numa tigelinha e, com batedor de arame, vá batendo à medida que junta o azeite aos poucos. Até formar um molho emulsionado. Tempere com um pouco de sal e pimenta-do-reino. Coloque numa tigela a batata, as folhas de mostarda, as nozes e o molho de mostarda. Misture com uma espátula delicadamente e guarde na geladeira em recipiente tampado. Pode ser feito um dia antes do piquenique.
Rende: 8 porções

Achados e Perdidos 2


Um pano de prato de saco alvejado bordado em ramo de ponto pé-de-galinha com linha branca entre duas carreiras de decoração-macramê, com barrado de crochê. E facas, colheres e garfos, como se veem.
"Os objetos permanecem à disposição dos interessados mais 60 dias, além do mês em que o objeto foi encontrado. Os não procurados são encaminhados para o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo e os documentos para os órgãos emissores". No caso do Metrô.
Entre nós, os objetos ficam na cesta que vai e volta ao piquenique à espera de seus donos. Ao final do tempo da paciência, vão para a prenda do bingo com participação obrigatória dos piquiniqueiros.

15 de setembro de 2010

achados e perdidos



encontrou-se isto aí acima.
perdeu-se canequinha azul de ágata.
cadê, cadê?


.

Pão de coco com cúrcuma

Enquanto os piquiniqueiros não me mandam as receitas, vou postando as minhas que ainda resistem frescas na cabeça. Começo pelo pão inventado no dia anterior com uma farinha de coco orgânica que tinha acabado de ganhar da
Finococo, da Bahia (mas que entrega sem cobrar frete para todo o Brasil). Usei da mesma marca o óleo de coco extra-virgem. São incrivelmente bons e cheirosos. A farinha é resultado da extração do óleo mas além de ser rica em fibras é cheia de sabor e perfume de coco. Se não fosse um produto sério, certificado pelo IBD, poderia jurar que tem incremento de aromatizante. Se você quiser fazer o pão e não tiver nem a farinha de coco, use a mesma quantidade de farinha de amêndoas, de nozes, farelo de trigo, coco desengordurado sem açúcar etc. E manteiga no lugar do óleo de coco. São ingredientes muito diferentes, mas o pão deve ficar igualmente bom, já que a base de massa que uso é igual em quase todos os pães que faço. Como esta receita que já dei aqui.
Pão de coco com cúrcuma. De Neide Rigo
1 envelope de fermento biológico seco
3 colheres (sopa) de açúcar
3 xícaras de água morna (720 ml)
1 xícara de farinha de coco
1 colher (chá) de cúrcuma (açafrão-da-terra) em pó
2 colheres (chá) de grãos de coentro tostados e triturados
1 colher (sopa) de sal
1 ovo
Cerca de 1 kg de farinha de trigo branca
1/2 xícara de óleo de coco
Numa bacia dissolva o fermento com um pouco da água morna, só para virar uma pasta. Junte o açúcar, o resto da água, a farinha de coco, a cúrcuma, o coentro, o sal e o ovo. Misture bem com uma colher de pau. Acrescente a farinha branca, aos poucos, primeiro mexendo com a colher e depois, sovando bem com as mãos, até formar uma massa macia. Junte, então, a gordura de coco e misture bem para incorporá-la à massa. Se for preciso, junte mais farinha de trigo, até formar uma massa que se solte das mãos. Você pode fazer tudo isto numa bacia grande ou numa superfície enfarinhada. Cubra a massa com plástico e deixe crescer, até dobrar de volume.
Divida a massa em 4 partes, abra a massa com rolo em retângulo comprido e molde como rocambole. Ou modele do jeito que preferir. Polvilhe farinha sobre os pães ou, melhor ainda, pulverize água - ou ainda passe o pão sobre a torneira aberta rapidamente -, e role o pão sobre farinha de coco espalhada sobre a pedra de trabalho (pode fazer isto com aveia, farelo, gergelim, nozes quebradas - depende do que é o seu pão). Coloque-os numa assadeira untada e enfarinhada.
Cubra com pano e deixe crescer novamente (dentro do forno, por exemplo). Leve para assar em forno bem quente, cerca de 280 graus, pré-aquecido, por 10 minutos. Diminua para a temperatura mais baixa (em fogões domésticos - por volta de 150 graus, em forno elétrico) e deixe assar por mais 50 minutos. Devem estar dourados. Tire da assadeira, embale em sacos de pano ou papel e leve ao piquenique.
Rende 4 pães
Nota: se quiser guardar, deixe esfriar numa grade ou apenas coloque-os apoiados na borda da assadeira, para que o fundo dos pães não fique suado. Depois é só embalar e consumir em 3 dias (ou, para mais tempo, deixe-os na geladeira ou congele).

14 de setembro de 2010

Piquenique inaugurando setembro ensolarado, até o anoitecer

Diferente do último
piquenique naquele domingo gelado, desta vez fez sol, um vento leve derrubou folhinhas sobre a comida, apareceram por ali dois pássaros grandes e no fim da tarde teve até revoada de siriri. Era o domingo perfeito para um piquenique, se bem que todos são desde que a grama esteja seca. Teve até cochilos entre uma mordida e outra. A Inês chegou de surpresa, direto de Nova Iorque, para passar seu aniversário entre a gente. Apesar do cansaço, não dormiu no ponto, embora tenha tirado folga do ofício de fotógrafa. Saímos da praça já era noite com lua minguante e estrela do ladinho.
Amigas e comidas sumidas reapareceram, como a Adriana, a
Mônica, a Dilma e a tortilla da Chus. Os de sempre estavam lá e os novos agregados também como Daniel Brazil que veio com a mulher, Carmen. Desta vez nos deu a honra da presença também a escritora e blogueira Noemi, do nada está acontecendo.
Nada por acaso, conhecia virtualmente a Veronika e eu, mas acontece que já conhecia pessoalmente a Mônica.
O calor pedia gelo e frutas e, sem combinação, apareceram aos monte um e outras. Até uma geladeirinha com gelos para bebidas apareceu pela praça. E bacias de jabuticaba de casas e de praças, amoras do jardim e da calçada, melancias geladas da feira, abacaxi com cardamomo e hortelã, maçãs no gelo, bananas e laranjas. E frutas secas, muitas.
Pães quentinhos da Veronika, da Fabiana, da Chus e meu. Dilma fez pães lindos que também chegaram quentes, um recheado com queijo e presunto e outro com escarola. Fátima trouxe pão macio na forma de sanduiches para as crianças e uma garrafona de suco de maracujá com gelo que sumiu num segundo. Adrianas gostam de fazer bolos de cenoura. Uma, a mais alta, fez o bolo de cenoura na formona. A outra, Adriana Reis, fez bolinhos de cenoura em forminhas decoradas.
E teve ainda bolo da Chus e de goma, do Daniel. Mônica copiou e modificou a receita da
torta da Veronika
e acha que o Piperca já está sendo útil para sugerir pratos para os próprios piquiniqueiro.
Já viram vegetariana fazer carne louca à perfeição? Sem experimentar, a Chus fez a carne desfiada e bem temperada que deixou todos loucos de vontade de comer mais. O Ricardo deu a última mordida. Mas todas as receitas vão aparecer aos poucos por aqui.
Por enquanto, pelo uma delas, o bolinho de cenoura, já foi publicada pela Adriana no seu blog Varal de Texto
.
E você pode ver nestes álbuns todas as fotos de comida, bebida, sacolas, gente grande
e gente pequena que apareceram neste piquenique:


13 de setembro de 2010

tempo longo

a climatempo acertou em cheio. estava um tempo lindo. agradável. sem o gelo de agosto. sem as chuvas de abril. é bom sair de casa. enquanto ricardo colhia jaboticabas com o cláudio ali na mercedes, fui com os meninos pra praça. eles estavam na maior alegria, imaginando quem será que vai estar. pela primeira vez em tantos meses, fomos os primeiros a chegar. nem sabia onde começar a estender a toalha. mas logo um e outro e uma e outras. e estava armada a confusão.
sem o marcos ali para definir o melhor lugar entre sol e sombra e sem a neide para arrumar a boniteza das coisas, fomos nos ajeitando como dava. nunca falta pão. nunca falta café, suco, um bolo, fruta. e o piquenique começa. do começo ao fim – e desta vez fomos até tarde – sempre tem alguma coisa para se comer e beber.
os meninos instalaram o telefone sem fio entre duas árvores e eu descobri que as abobrinhas tinham sacolejado demais no carrinho. antes de autorizar a fase do experimentar-para-saber-que-gosto-tem, fotografei.




me inspirei num carpaccio de abobrinha que a fer publicou uma vez. achei carpaccio um pouco desajeitado para piquenique. lembrei das abobrinhas com ricota que são assadas. pensa daqui e pensa dali, na sexta, cortei as abobrinhas de comprido em fatias bem fininhas. coloquei para marinar com sal, um pouco de vinagre, uma colher de sobremesa de um concentrado de tamarindo, azeite, folhas de manjericão umas gotas – pouquinho mesmo – de vinho madeira e um pouco de mel. no domingo de manhã as fatias tinham amolecido. não tinha ricota em casa, mas tinha gorgonzola. coloquei pedacinhos de gorgonzola em cada fatia e enrolei. prendi com um palito. ajeitei no prato, cobri com o restante do molho, com os farelos do gorgonzola e umas flores de manjericão – que murcharam no caminho. não tive tempo de experimentar antes. quando reorganizei as abobrinhas para que posassem para a foto, logo a valentina se aventurou e experimentou, fiquei vendo a reação e ... notei que ela achou bom. experimentei também e achei também que ficou, mesmo, muito bom.
um dia a neide padroniza as medidas desta receita. por enquanto, vale o registro pra gente não esquecer.



fotografei também os bolinhos de cenoura que a adriana e o jan fizeram.
não tenho a receita, mas ela vai mandar e a gente posta.



eles trouxeram também “catarinas descabeladas”, cuja receita adriana colocou em seu varal.

as jaboticabas, doces, não fotografei. uma pena.


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10 de setembro de 2010

climatempo

a previsão se confirma. para o dia 12, mínima de 14, máxima de 30. sol com nuvens. não chove.


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3 de setembro de 2010

Queijo de kefir drenado



Este kefir drenado a Veronika levou no último piquenique. Mas, se não tiver kefir, use coalhada ou iogurte natural feito em casa. É só temperar com sal e colocar para escorrer a maior parte da água. Pode ser usado filtro de nylon, pano etc. Veja como fazer num post meu: http://come-se.blogspot.com/2007/06/receitas-com-kefir.html. E também a receita do queijinho drenado em azeite também da Veronika: http://come-se.blogspot.com/2009/03/bolinhas-de-kefir-no-azeite.html

2 de setembro de 2010

30 de agosto de 2010

29 de agosto de 2010

Festa

No último piquenique, estávamos todos quase virando picolé e o convescote foi uma grande reunião de narizes vermelhos e corizantes. Mas a despeito do tempo adverso, estavámos também felizes de estarmos lá, reafirmando a importância que esses encontros têm pra gente.

E têm mesmo, uma importância imensa, de afirmar uma possibilidade de viver essa cidade de um jeito diferente.

O tempo de todo dia, aqui nessa cidade imensa e fervilhante, é o tempo do trabalho e da correria; o tempo dos caminhos rotineiros, traçados a asfalto; o tempo do relógio, e mais dos minutos e segundos que das horas ou períodos. A nossa experiência da cidade é, em geral, o todo-dia da casa-trabalho-casa ou, no caso das crianças, da casa-escola-casa. É também tempo de desencontro ou do encontro breve e apressado. Na porta da escola, no corredor do trabalho, na frente da máquina de café.

A cidade de todo-dia é áspera e arranha um pouco a gente. Porque nessa cidade, tão rica e tão pobre, tão velha e tão nova, tão grande e tão pequena, o cotidiano é, em geral, árido. Especialmente se você tem que sair de casa todo dia e usar a cidade sem poder vivê-la.

Como escapar, pelo menos de vez em quando? "Lazer", poderíamos pensar. Mas o lazer, pelo menos esse que nos oferecem - organizado em shoppings, às vezes mesmo em parques, teatros, cinemas... - não é o avesso do cotidiano. Não faz com ele contraponto porque parece que ainda aí, nesse espaço de "descanso", há tantas necessidades e ofertas que o tempo persiste em tiquetaquear dentro da gente. E a gente desaprende a fazer nada. Sinto muito, mas o lazer não é o avesso do cotidiano (ou, pelo menos, não sempre).

A gente não faz piquenique por lazer, feito programa que se escolhe no guia. A gente faz piquenique pra se ver, se encontrar, conversar sem pressa, se ouvir com calma, dividir receitas, recuperar um tempo perdido que talvez só tenha existido mesmo no nosso desejo (mas cuja saudade, nem por isso, é menos real). Fazemos piqueniques para celebrar o tempo próprio de crescer o pão, misturar ingredientes, ficar em sintonia com a fruta da época.  Para viver a cidade, descobrir também suas delicadezas, rememorar que a barriga ronca, colocar os pés no chão, o bumbum na grama, estender a mão para colher as frutas. Porque a praça e a esquina também são locais de encontro pra quem vive perto (de fato ou de sentimento) e deseja se reconhecer.

Para que o avesso do cotidiano seja a festa. Essa festa macia e sem pressa de partilhar a mesma mesa - justaposição de tecidos, cores e padrões, que sempre se estende mais um pouco para que caiba aquele e aquela que chegam. Essa festa de quem decidiu interromper o corre-corre para restar parado e, assim, simplesmente, respirar a brisa de um tempo pleno. Mesmo que seja uma brisa gelada.

27 de agosto de 2010

Antepasto de coração de banana

Já mostrei esta receita no Come-se, da própria Veronika - veja lá. Mas, como ninguém clica linque e como a iguaria apareceu no último piquenique, deixo registrada a receita também no Piperca, já que é tipo de preparo que funciona bem para café da manhã, almoço, jantar. Com suco, café-com-leite ou vinho. A Veronika diz que faz sempre a olho, como eu também faria, mas consegui arrancar dela a fórmula aproximada.


Antepasto de coração de banana no vapor do alfavacão. Receita de Veronika Paulics
1 coração de banana (o botão que fica no fim do cacho, que deve ser tirado quando as bananas ainda estão verdes)
2 colheres (sopa) de suco de limão diluidos em 1 litro de água
1/2 colher (sobremesa) de sal misturado com 1 litro de água
Cerca de 20 folhas de alfavacão (se não tiver, use manjericão de folhas grandes)
1/2 xícara de nozes picadas6 azeitonas verdes picadas1 pimenta dedo-de-moça sem sementes picada
3 colheres (sopa) de salsinha picada
2 colheres (sopa) de vinagre
Azeite e sal a gosto
De preferência, usando luvas, corte com uma faca afiada as folhas do coração em tirinhas bem finas, deixando de molho em água com o suco de limão antes e depois de picar (só enquanto trabalha com o ingrediente). Em uma panela com água e sal já quente ferva as tirinhas escorridas por 5 minutos. Enquanto isso, faça com as folhas de alfavacão uma caminha no fundo de um recipiente de vidro - que possa ir à mesa. Coe as tirinhas de coração e jogue-as ainda quente sobre as folhas, para que fiquem impregnadas com o vapor aromático. Junte as nozes, azeitonas, pimenta, salsinha, vinagre, azeite e sal. Sem mexer, tampe a vasilha e deixe em repouso até esfriar completamente. Só então misture os ingredientes sem desmanchar a cama de ervas. Prove o sal e corrija, se necessário. E junte mais azeite se quiser conservar na geladeira por mais alguns dias. Sirva com pão ou para temperar e complementar salada de folhas verdes.

25 de agosto de 2010

Num dia frio, calor humano

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Se pra Neide e Veronika piquenique tem o sentido do encontro para comer coisas deliciosas e ver os amigos perto de casa, para mim, que não sou muito boa na cozinha, só o encontro com o desfazer-se da rotina da semana basta. Não precisa ser perto de casa. Aliás no meu caso “Piquenique perto de casa” é “Piquenique longe de casa”. Moro na zona sul e o piquenique é na zona oeste. E daí? É longe.
O frio daquele dia deve ter sido o mesmo para todos nós que estávamos lá. Cada qual de onde tenha vindo, perto ou longe. Até as crianças estavam encolhidas quando o frio aumentava. Dias raros de inverno. Saíram do armário os gorros, o cachecol, o poncho. Palavras que usamos tão pouco num país tropical que quando vou escrever tenho até que conferir no dicionário se ainda se escreve com ch ou mudou para x. Tantas reformas ortográficas… Sei lá. Melhor checar.
Com ou sem piquenique, com ou sem encontro, uma coisa nunca falta: imagem do outro. Mesmo um celular dentro do bolso pode ajudar a guardar na memória de cada um o que foi aquele piquenique perto de casa de um dia muito frio. Já que as comidas gostosas a Neide trouxe para cá com deliciosas fotos, trago o outro lado, de quem comeu, lambeu os dedos e aproveitou.

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Poucas imagens de um pouco tempo que lá estive. Mas cada imagem mostra estampada a coragem de quem saiu de casa mesmo num dia tão frio só para se encontrar, fazer um pouco de nada junto, olhar para o outro. Se encorujar na praça. Jogar conversa fora. Relaxar. Se ver. Talvez, quem sabe, procurar um pouco de calor humano.

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E como é interessante encontrar pessoas que voce ainda não sabe. Conhecer alguém que saiu pra você do mundo virtual. Como foi o caso da Fabiana, do blog
Noturnos Imperfeitos. Conhecia o blog mas não a Fabiana. E o Daniel Brazil, do Fósforo que foi lá e até levou uma geléia de laranja gostosa que está aí num post abaixo.

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Eu? Fui de mão abanando mesmo. Nem minha fiel companheira levei. Registrei com celular e com ajuda da minha filha. Não pude ficar muito tempo mas também vou guardar na memória fotográfica o dia frio em que nos encontramos. Corpos encasacados. Corpos encolhidos.

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24 de agosto de 2010

Muffins de mirtilos

A receita da massa, a Fabiana pegou no Come-se - de uns muffins de pitangas, já adaptada de uma outra. Mal me lembro daqueles, só sei que estes estavam pra lá de bom, muito fofinhos e ainda quentes. Vale lembrar que em São Paulo estamos em plena safra de amoras pelas ruas e que elas também podem ser usadas nesta receita. Ou invente seu próprio Muffin, pois uma coisa é certa: crianças e adultos adoram.
Se ela não fez nenhuma outra adaptação, a receita deve ter ficado assim:

Muffins de mirtilos (blueberries). Por Fabiana Jardim
½ xícara de manteiga sem sal, derretida
1 xícara de açúcar
2 ovos
½ xícara kefir ou iogurte natural
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
Raspas da casca de dois limões (um taiti e outro siciliano)
1 xícara de mirtilos (blueberries) polvilhadas com farinha
Unte com manteiga e polvilhe com farinha 15 forminhas de muffins. Numa tigela combine a manteiga derretida fria com o açúcar, os ovos e o kefir ou iogurte. Misture bem. Peneire sobre esta mistura a farinha, o bicarbonato e o sal. Mexa até virar uma massa homogênea. Junte a casquinha de limão e as frutas e mexa delicadamente para incorporar. Divida a massa entre as forminhas – deixando espaço para crescer. Leve para assar em forno médio preaquecido, por cerca de 30 minutos.
Rende: 15 muffins

Nota: foram usadas medidas padronizadas e rasadas: 1 xícara=240 ml; 1 colher (sopa) =15 ml e 1 de chá=5 ml

23 de agosto de 2010

Geleia de laranja seleta

Tive a sorte de levar a geleia pra casa e comer no outro dia com o pão de nozes que sobrou do piquenique. Mas, não vou me estender, não. Fala aqui o próprio Daniel Brazil, que usou laranjas do seu quintal. Um luxo:
Um dos segredos de uma boa geleia de laranja é escolher uma variedade de casca grossa, com bastante acidez. Laranja-lima, aquela docinha, não funciona. Seleta ou bahia (laranja-de-umbigo) são as mais recomendadas. No interior do Brasil é comum deixar as laranjas de molho, por alguns dias. Ou seja: Pegue as laranjas e deixe dentro de um balde com água, trocando a cada 12 horas. Se puser uma colher de bicarbonato de sódio, acelera o processo. Dois dias foram suficientes para esta receita, sem bicarbonato. Mas ficou amarguinha do jeito que eu gosto.
A partir daí, há várias maneiras de fazer. A que levei ao piquenique foi assim
:

Foto: Daniel Brazil. Roubei do blog dele, deste post
Geleia de Laranja seleta. Por Daniel Brazil
20 laranjas, descascadas e sem caroços.
1 xícara de cascas limpas
4 xícaras de açúcar
Suco de um limão siciliano
Alguns cravos (não exagere!)
Após descascar as laranjas, descarte as partes escuras e manchadas das cascas. Corte as cascas em fatias fininhas (uma xícara) e jogue na água fervente. Deixe por cinco minutos. Coe e repita o processo por três vezes, trocando a água. Limpe bem as laranjas, tirando o talo central e o excesso de entrecasca (aquela parte branca). Corte em pedaços e jogue na panela, com um pouco de água. Espere ferver e coloque o açúcar, mexendo com uma colher de pau. Coloque os cravos e o suco de limão e continue mexendo de vez em quando, até sentir o ponto de geléia (demora uns 40 minutos, pelo menos). Pegue uma colherada e deixe esfriar num pires, para ter certeza do ponto desejado (ao esfriar, deve formar ondas quando empura com o dedo).
Misture as cascas cozidas, mexa bem, deixe ferver e coloque em potes de vidro esterilizados. Com a prática, você vai chegar ao seu ponto, mais ou menos amarguinho. Sem conservantes, dura uns três meses na geladeira
.

20 de agosto de 2010

Rácsos linzer


O bom dos nossos piqueniques é que de vez em quando alguém traz algumas delícias de que nunca tinha ouvido falar, como esta torta húngara coberta com tiras de massa fazendo quadrados. Pelo menos o nome não sabia que era este. Há quem a chame de torta alemã. Mas como o que importa é que é deliciosa; deixemos a briga de paternidade aos interessados. O fato é que cai bem aos piqueniques.
Pra variar, a Veronika fez algumas modificações na receita original, em húngaro, e trocou as amêndoas por castanja de caju, parte da geleia de damasco por geleia de tamarindo (aprovadíssimo), entre outras veronices. Vamos, então, direto à receita dela, que deu muito certo. E, aqui, nem me meto, deixo a palavra com ela:
Rácsos linzer. Por Veronika Paulics
"como eu fiz: misturei 350 gramas de farinha de trigo com 240 gramas de açúcar, 240 gramas de manteiga em ponto pomada, 240 gramas de castanha de caju sem sal moída, 2 ovos inteiros e uma gema. esqueci a pitada de canela, que demorei para descobrir o que era (a receita original estava em húngaro) e coloquei leite até dar liga (menos que 10 ml). misturei e amassei e trabalhei a massa. dividi em duas partes, abri uma metade na assadeira, coloquei geleia de damasco numa parte, geleia de laranja em outra e tamarindo na terceira parte. fiz cobrinhas com a segunda metade da massa e gradeei a camada de geleia. passei gema na massa, pus no forno médio para quente e deixei muito tempo, uns 40 minutos. até que soltou da beirada."

19 de agosto de 2010

Bombocados


O Daniel Brazil ligou para a casa do Paulo Weidebach logo cedo, antes de sair para o piquenique. Quem atendeu foi a Clara, filha do Paulo e da Kelly. "Olha, não dá falar com você agora, porque estou fazendo bombocados para o piquenique e alguma coisa não está dando certo. Não dá pra falar agora, tá? tchau!". O Daniel chegou e contou a história. Ficamos todos curiosos para saber se teríamos ou não bombocados. Mas logo eles chegaram, quentinhos (os bombocados, porque a família estava geladinha). A massa pareceu que ia desandar, segundo Kelly, mas foi alarme falso porque o resultado é isto que podem ver. Já nós, felizmente, tivemos a sorte de, além de ver, também cheirar e devorar. Porém, deixamos aqui a receita.
Bombocados. Da família Weidebach
1/2 kg de açúcar
1 xícara de água
2 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
6 ovos ligeiramente batidos
3 colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada
manteiga para untar
Misture o açúcar com a água e leve ao forno até ferver e formar uma calda grossa com a consistência de mel. Deixe amornar. Junte a manteiga, o queijo, os ovos e a farinha de trigo. Mexa com uma colher de pau. Distribua a massa em forminhas untadas com manteiga. Leve ao forno quente (220ºC), preaquecido, e deixe assar até dourar. Retire doforno e desenforme ainda quente, passando antes uma faca sem ponta em volta dos bombocados.
Rende: de 15 a 20 bombocados