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23 de agosto de 2010

Geleia de laranja seleta

Tive a sorte de levar a geleia pra casa e comer no outro dia com o pão de nozes que sobrou do piquenique. Mas, não vou me estender, não. Fala aqui o próprio Daniel Brazil, que usou laranjas do seu quintal. Um luxo:
Um dos segredos de uma boa geleia de laranja é escolher uma variedade de casca grossa, com bastante acidez. Laranja-lima, aquela docinha, não funciona. Seleta ou bahia (laranja-de-umbigo) são as mais recomendadas. No interior do Brasil é comum deixar as laranjas de molho, por alguns dias. Ou seja: Pegue as laranjas e deixe dentro de um balde com água, trocando a cada 12 horas. Se puser uma colher de bicarbonato de sódio, acelera o processo. Dois dias foram suficientes para esta receita, sem bicarbonato. Mas ficou amarguinha do jeito que eu gosto.
A partir daí, há várias maneiras de fazer. A que levei ao piquenique foi assim
:

Foto: Daniel Brazil. Roubei do blog dele, deste post
Geleia de Laranja seleta. Por Daniel Brazil
20 laranjas, descascadas e sem caroços.
1 xícara de cascas limpas
4 xícaras de açúcar
Suco de um limão siciliano
Alguns cravos (não exagere!)
Após descascar as laranjas, descarte as partes escuras e manchadas das cascas. Corte as cascas em fatias fininhas (uma xícara) e jogue na água fervente. Deixe por cinco minutos. Coe e repita o processo por três vezes, trocando a água. Limpe bem as laranjas, tirando o talo central e o excesso de entrecasca (aquela parte branca). Corte em pedaços e jogue na panela, com um pouco de água. Espere ferver e coloque o açúcar, mexendo com uma colher de pau. Coloque os cravos e o suco de limão e continue mexendo de vez em quando, até sentir o ponto de geléia (demora uns 40 minutos, pelo menos). Pegue uma colherada e deixe esfriar num pires, para ter certeza do ponto desejado (ao esfriar, deve formar ondas quando empura com o dedo).
Misture as cascas cozidas, mexa bem, deixe ferver e coloque em potes de vidro esterilizados. Com a prática, você vai chegar ao seu ponto, mais ou menos amarguinho. Sem conservantes, dura uns três meses na geladeira
.

20 de agosto de 2010

Rácsos linzer


O bom dos nossos piqueniques é que de vez em quando alguém traz algumas delícias de que nunca tinha ouvido falar, como esta torta húngara coberta com tiras de massa fazendo quadrados. Pelo menos o nome não sabia que era este. Há quem a chame de torta alemã. Mas como o que importa é que é deliciosa; deixemos a briga de paternidade aos interessados. O fato é que cai bem aos piqueniques.
Pra variar, a Veronika fez algumas modificações na receita original, em húngaro, e trocou as amêndoas por castanja de caju, parte da geleia de damasco por geleia de tamarindo (aprovadíssimo), entre outras veronices. Vamos, então, direto à receita dela, que deu muito certo. E, aqui, nem me meto, deixo a palavra com ela:
Rácsos linzer. Por Veronika Paulics
"como eu fiz: misturei 350 gramas de farinha de trigo com 240 gramas de açúcar, 240 gramas de manteiga em ponto pomada, 240 gramas de castanha de caju sem sal moída, 2 ovos inteiros e uma gema. esqueci a pitada de canela, que demorei para descobrir o que era (a receita original estava em húngaro) e coloquei leite até dar liga (menos que 10 ml). misturei e amassei e trabalhei a massa. dividi em duas partes, abri uma metade na assadeira, coloquei geleia de damasco numa parte, geleia de laranja em outra e tamarindo na terceira parte. fiz cobrinhas com a segunda metade da massa e gradeei a camada de geleia. passei gema na massa, pus no forno médio para quente e deixei muito tempo, uns 40 minutos. até que soltou da beirada."

19 de agosto de 2010

Bombocados


O Daniel Brazil ligou para a casa do Paulo Weidebach logo cedo, antes de sair para o piquenique. Quem atendeu foi a Clara, filha do Paulo e da Kelly. "Olha, não dá falar com você agora, porque estou fazendo bombocados para o piquenique e alguma coisa não está dando certo. Não dá pra falar agora, tá? tchau!". O Daniel chegou e contou a história. Ficamos todos curiosos para saber se teríamos ou não bombocados. Mas logo eles chegaram, quentinhos (os bombocados, porque a família estava geladinha). A massa pareceu que ia desandar, segundo Kelly, mas foi alarme falso porque o resultado é isto que podem ver. Já nós, felizmente, tivemos a sorte de, além de ver, também cheirar e devorar. Porém, deixamos aqui a receita.
Bombocados. Da família Weidebach
1/2 kg de açúcar
1 xícara de água
2 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
6 ovos ligeiramente batidos
3 colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada
manteiga para untar
Misture o açúcar com a água e leve ao forno até ferver e formar uma calda grossa com a consistência de mel. Deixe amornar. Junte a manteiga, o queijo, os ovos e a farinha de trigo. Mexa com uma colher de pau. Distribua a massa em forminhas untadas com manteiga. Leve ao forno quente (220ºC), preaquecido, e deixe assar até dourar. Retire doforno e desenforme ainda quente, passando antes uma faca sem ponta em volta dos bombocados.
Rende: de 15 a 20 bombocados

18 de agosto de 2010

Manteiga de limão para passar no pão


Foi difícil fazer por causa do frio, mesmo deixando a manteiga em temperatura ambiente. Mas cismei que iria combinar com o pão de nozes e passas. Com temperatura por volta dos 12 graus no domingo de manhã, a manteiga não chegava ao ponto de pomada nunca. E só quando ela está bem molinha (não derretida), é que é possível formar uma emulsão estável com o suco de limão. Entao cortei-a em pedacinhos, coloquei numa tigela e apoiei sobre uma panela com água morna. Fui mexendo devagar para amolecer sem derreter (se derrete, a manteiga fica granulosa quando volta a endurecer) e aí, sim, consegui misturar as duas coisas. Mesmo com a adição de líquido, a manteiga chegou ao piquenique super firme por causa do frio que solidifica a gordura. De qualquer forma, comemos aos pedacinhos sobre o pão ainda morno. Aqui vai o jeito de fazer:
Manteiga de limão
200 g de manteiga sem sal
2 colheres (sopa) de suco de limão siciliano
1 colher (sopa) de suco de limão rosa
A casca dos dois limões ralada
Flor de sal ou sal refinado a gosto

Coloque a manteiga bem macia numa tigela e mexa bem. Junte, aos poucos o suco dos limões, até incorpor tudo. Tem que ir colocando devagar, para não talhar. Junte, então, a casca dos limões e o sal (se quiser, use a manteiga salgada e elimine o sal da receita).
Rende: pouco mais de uma xícara
Nota: se sobrar, use para preparar peixes ou legumes cozidos

17 de agosto de 2010

Pão de nozes com uvas passas


Começo pelo meu pão a registrar as receitas do piquenique gelado de agosto. Só porque é mais fácil e tenho ainda frescas as medidas na cabeça.
Pão de nozes com passas
1 envelope de fermento biológico seco
3 colheres (sopa) de açúcar
3 xícaras de água morna (720 ml)
350 g de farinha de trigo integral
1 colher (sopa) de sal
1 ovo
Cerca de 950 g de farinha de trigo branca
150 g de uvas passas sem sementes umedecidas com 1/4 de xícara de água por 10 minutos e bem espremidas
250 g de nozes trituradas grosseiramente

1/4 de xícara de manteiga em ponto de pomada
Numa bacia dissolva o fermento e o açúcar com um pouco da água morna. Junte o resto da água, a farinha de trigo integral, o sal e o ovo. Misture bem com uma colher de pau. Acrescente a farinha branca, aos poucos, primeiro mexendo com a colher e depois, sovando bem com as mãos, até formar uma massa macia. Junte, então, as uvas passas, as nozes e a manteiga e misture bem para incorporá-los à massa. Se for preciso, junte mais farinha de trigo, até formar uma massa que se solte das mãos. Você pode fazer tudo isto numa bacia grande ou numa superfície enfarinhada. Cubra a massa com plástico e deixe crescer, até dobrar de volume. Divida a massa em 4 partes, molde os pães compridos ou em forma de bola. Coloque-os numa assadeira untada e enfarinhada. Cubra com pano e deixe crescer novamente (dentro do forno, por exemplo). Antes de assar, polvilhe farinha de trigo na superfície e faça cortes com uma faca bem afiada (ou estilete, bisturi). Leve para assar em forno bem quente, pré-aquecido, por 10 minutos. Diminua para a temperatura mais baixa (em fogões domésticos - ou por volta de 150 graus em forno elétrico) e deixe assar por mais 50 minutos. Devem estar dourados. Tire da assadeira, embale em sacos de pano ou papel e leve ao piquenique.
Rende 4 pães
Nota: se quiser guardar, deixe esfriar numa grade ou apenas coloque-os apoiados na borda da assadeira, para que o fundo dos pães não fique suado. Depois é só embalar e consumir em 3 dias (ou, para mais tempo, deixe-os na geladeira ou congele).
Um pão de nozes com aveia, germe e farelo de trigo já dei no Come-se. Veja aqui.

16 de agosto de 2010

Piquenique de agosto no domingo mais frio do ano


A gente se esforça muito para que aconteça pelo menos um piquenique por mês. O certo seria no primeiro domingo, mas no dia um não deu. No segundo domingo era dia dos pais, e acabou ficando para o terceiro.
E estava decidido, fizesse sol ou cinza estaríamos lá na praça. O frio era de doer os ossos, mas ninguém amoleceu (ou endureceu congelado). Muito poncho, japona, casaco, chapeu, boina, touca, mantinha e cachecol. Pra aquecer o ambiente, uma fogueira improvisada sobre uma chapa de metal apoiada num tripé de ferro para vaso. Meticulosamente planejada dias antes. Não queimou o chão, não sujou nada, e ainda diminuimos a pilha de lenha acumulada na praça para a prefeitura levar - tudo virou cinzas que no final se misturaram aos pedriscos. E a praça ficou limpinha, pronta para o próximo piquenique, para a próxima turma, para muitas turmas.
Para continuar esquentando, havia ainda chá, café, vinho e cachaça de cambuci - preparada pelo Paulo Weidebach que também trouxe, preparados pela Kelly com ajuda da Clara, bombocados tentadores. E o menino Vinícius não parava de repetir o quanto gostava de piquiniques enquanto sua mãe, Alessandra, lia estorinha pras outras crianças. Chico mostrou-se um lenhador incansável e disse que foi o melhor piquenique dos nove. Rodrigo se animou com as bananas assadas pelo pai na fogueira. Crianças brincaram ainda de encontrar folhas de acordo com um mostruário de diferentes formatos. Acho que uma corda para pular também teria ajudado adultos e crianças a sentir um pouco de calor.
O vapor dos muffins quentinhos da Fabiana chegaram antes que a família. E o carrinho da Veronika veio cheio de gostosuras também recém-saídas do forno - torta salgada e rácsos linzer (não se preocupe, você vai saber o que é nos próximos capítulos). Fátima e Claudio trouxeram sanduiches de pão macio, queijo e presunto (ou peito de peru), que alegra crianças e adultos (embrulhados em charmosos saquinhos de papel manteiga). Já eu, só consegui levar pão de nozes quentinho porque acordei às 5 da matina para tossir, tossir, beber água, xarope, tossir. Então aproveitei para preparar e deixar levedando uma massa de pão enquanto eu dormia mais uma pouco. Foi só acordar, moldar, deixar crescer e assar. Neste meio tempo ainda cozinhei ovos, fiz chá de hibisco, manteiga de limão e catei umas frutas. Marcos não esqueceu do vinho.
Ah, e finalmente conhecemos o Daniel Brazil (do blog Fósforo), leitor do blog, que chegou e se abancou como velho amigo (e já é), trazendo nas mãos geleia de laranja seleta do seu quintal.

Bem, com tanta coisa boa no cenário, o frio foi só um adorno ao nosso propósito que é sempre encontrar os amigos em local público para celebrar a amizade e compartilhar comidas e ideias - amenas ou não - e o tempo de ócio. Mas uma névoa úmida nos fez arrastar toalhas para debaixo de uma pitangueira. Depois passou, o ar amornou um pouco, vieram dois raios de sol, o tempo fechou de novo, esfriou mais ainda e agora, sim, era hora de apagar a fogueira, conferir se não deixamos rabo e seguir para o aconchego do lar, debaixo de muitas cobertas, aquecendo as lembranças boas deste domingo gelado. Que trememos um pouco, trememos, mas duvido que alguém vá esquecer este dia.

Mais sobre este dia gelado, no blog do Daniel Brazil: http://danbrazil.wordpress.com/2010/08/15/um-piquenique-de-domingo/

10 de agosto de 2010

quanto mais simples, melhor

para fazer um piquenique, não é preciso muito. em primeiro lugar, ter vontade de sair de casa. dentro de casa nem sempre é agradável. que seja no quintal. mas se houver alguma área pública, arborizada ou não, é melhor, garanto, bem melhor.
em segundo lugar, convide alguém. duas pessoas podem fazer piquenique? claro. uma só já pode, mas tem que gostar muito, muito de si mesma e ter novos assuntos em pauta. será que não há ninguém por perto que você queira encontrar? ah, sim, está melhor, convide.
há milhares de anos, quando os seres humanos se reúnem na alegria, comem juntos. é o tal pão partilhado. e não precisa ser pão. mas pode ser. também pode ser um bolo, pode ser um pacote de bolacha. pode ser um sanduíche de pão com ovo. pão com queijo. pão. pode ser pipoca, pode ser uma fruta. pode ser muitas frutas.
então, se vamos nos encontrar e comer, precisamos de um lugar para sentar. se tiver cadeiras portáteis, que bom. se não tiver, que tal um pano. qualquer pano: lençol, toalha de mesa, manta, cobertor, toalha de banho. até jornal serve. uns pratos. tem prato de plástico durável. não pesa, não quebra. dá para usar muitas vezes. o mesmo com copos ou canecas, caso o cardápio inclua um suco, um café, um leite. vinho.
tem gente que não dispensa guardanapos. por mim, pode ser um pano de prato limpinho que servirá para quem dele precisar. se for levar manga e melancia pro piquenique, leve mais panos de prato. se levar maçãs, lembre-se de uma faca.
eu não tenho lindas cestas compradas em lojas bacanas. mas tenho um carrinho de feira que veio da casa da avó do meu marido. e esse carrinho é o máximo. não, não está novinho. a tinta está meio descascada, os arames dos cestos estão um pouco tortos. mas cabe tudo nele: toalha, prato, caneca de ágata, garrafa térmica, garrafa de suco, pano de prato, faca, pão, fruta. e um garrafão de água para quem precisar lavar a mão. mais um pano. uma bola, um frisbe, corda para pular, o jornal, quando.
mas o mais importante é que mesmo sem comida, sem bebida, cestos, panos, brinquedos, cadeiras, o espaço é amplo. é nosso. precisamos reaver o nosso direito à cidade que nós mesmos construímos em nosso cotidiano. e reavendo o nosso direito à cidade, perdemos o medo. porque é o desconhecido que nos mete medo. e nós, desconhecidos, metemos medo nos outros. mesmo sem saber.
e se é pra conhecer, vamos conhecer o mais perto, o entorno do onde vivemos. descobrir vizinhos. fazer amigos, criar o sentimento de pertença que algumas vezes se esvai na vida que levamos. e, então, lembrar que somos todos humanos.
você não sabe se há algum espaço público perto da sua casa? você não conhece o entorno? ah, então, melhor que piquenique, é andar. ande. ande a pé... e divirta-se!

2 de agosto de 2010

27 de julho de 2010

Próximo Piquenique

Apesar de ser o primeiro do mês, no próximo domingo (1/8) não haverá piquenique - as ausências seriam muitas porque começa agosto - mês de cachorro louco e de um milhão de atividades sociais (eu, pelo menos, tenho essa impressão!). E como no outro é dia dos pais, nosso piquenique fica combinado pro terceiro domingo, dia 15/8.

Impreterivelmente. (A não ser que chova).

23 de julho de 2010

Piperca na rede

Num texto bem legal sobre piqueniques, no jornal O Tempo Online, Rusty Marcellini cita o Piperca. Veja lá: http://www.otempo.com.br/entretenimento/gastro/colunas/?IdColunaEdicao=12338,OTE

Piqueniques por aí

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Neste final de semana são dois piqueniques de gente amiga. Um do Convívio do Slow Food de Belo Horizonte (Convívium Pique Nique) e outro do pessoal do Movimento Boa Praça. Aproveite!


Em Belo Horizonte:

Piquenique no Parque Municipal
Data: sábado, 24 de julho, à partir das 10h.
Local: Gramado entre o Teatro Francisco Nunes e o lago dos barquinhos.
Convivium Slow Food Pique-Nique no Twitter: www.twitter.com/SlowfoodPicNic
No Facebook: www.facebook.com/pages/Convivium-Slow-Food-Pique-Nique/121055827917660
Em São Paulo:
Do Movimento Boa Praça
16º PicNic - Alimentação Saudável
25 julho 2010 de 9:00 a 14:00 – Praça François Belanger
9hs - aula aberta de yoga com Daniela Kuperman (trazer canga, mat ou toalha)
10h30 - oficina de pão integral

Tá explicado!


Pesquisadores da Unicamp e da UNESP sugerem que frequentadores de praças públicas e parques sentem menos os fatores de desconforto térmico: Desconforto que não se sente.

Achei interessante que não é apenas em relação ao calor, isto é, não é só quando está muito quente que se sente menos o desconforto; mesmo em relação ao frio, há uma diferença nas condições reais de temperatura e pressão e a percepção térmica de quem está passeando na praça (no caso dos nossos piqueniques, só é difícil distinguir o quanto se deve ao espaço e o quanto se deve ao vinho ;-)

Segundo os autores da pesquisa, a explicação se encontra em vários fatores como: arborização, prazer de estar em um espaço público, relaxamento do tempo de lazer, características e percepções do espaço em que se está...

E tem mesmo coisa melhor que sentar despreocupado no colo de uma árvore?

Imagem: www.gettyimages.com

16 de julho de 2010

Pra levar ovos cozidos. Craquelados com cúrcuma


Estas embalagens, compradas em lojas de um-e-noventa-e-nove, são ótimas para guardar ovos na geladeira porque são de fácil higienização, mas melhores ainda para levar ovos cozidos ao piquenique. Neste último, levei assim uma dúzia de ovos cozidos - metade deles craquelado e tingido de cúrcuma. Não sobrou um pra contar história. Ovos sempre fazem sucesso. Sorte que logo chegaram a Suzana, minha irmã, com o cunhado Darly e mais um engradadinho de ovos. Fica aqui a dica. Só não pode esquecer o sal e a pimenta.
Para tingir: cozinhei os ovos por 10 minutos (depois da fervura), craquelei a casca, amassando com as mãos, e aferventei novamente com uma mistura de pó de cúrcuma. Como disse, não sobrou ovo pra contar história e muito menos pra foto. O do piquenique foi fervido só com cúrcuma, mas para ficar vermelho como este da foto (que publiquei uma vez no Come-se), é só juntar um pouco de bicarbonato para alcalinizar a mistura e ganhar tom avermelhado. Pode ser fervido com chá preto também.

15 de julho de 2010

Bolo de milho verde de Paulo Weidebach

Paulo descobriu pelo blog que era vizinho de grito da Chus. Foi logo se convidando para o piquenique seguinte, que aconteceu 4 de julho. "Oi, Neide. Sou seu leitor contumaz e descobri, no seu blog, que a Chus é minha vizinha de quarteirão! É muita liberdade pedir para sermos convidados para ir ao próximo piquenique? Eu, Kelly e a Clara (7 anos)." Claro, respondi. E no domingo ensolarado lá estava a família feliz com a graça da Clarinha, três bons litros de chá de hortelã e o bolo de milho sabendo à pamonha recheada e assada em forno de lenha - prontamente devorado como se estivéssemos à beira de um milharal. Que venham sempre! À receita, pois:
Bolo de milho verde. Por Paulo Weidebach
4 espigas de milho grandes raladas
1 xícara de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga
4 ovos
Cubinhos de queijo meia-cura a gosto
Coloque todos os ingredientes numa tigela e misture bem. Unte com manteiga uma forma, polvilhe com farinha de trigo e coloque a massa. Leve ao forno médio pré-aquecido e deixe assar até ficar com a superfície dourada.
Rende: uns 20 pedaços

Reserva


Apesar do título, não vou falar de vinhos, nem de floresta. Minha Reserva não cabe em tonéis, nem tem edição limitada; tampouco pode ser demarcada para preservação. Minha Reserva -  e digo minha só porque sou eu que estou escrevendo sobre ela, pois que a ela nem se aplica exatamente a ideia de propriedade - é de outro tipo.

O último piquenique, apesar da ausência-presente da Veronika, foi delicioso... O dia amanheceu nublando (assim mesmo, no gerúndio), mas logo o sol apareceu para nos esquentar e iluminar nosso piquenique. A toalha estendida, as comidinhas espalhadas, e muitas conversas com aqueles que vão se tornando familiares e com aqueles que apareciam pela primeira vez. Um experimentadinha no quitute novo, e uma experimentadinha na conversa nova; uma capitulação à receita já conhecida e um novo sabor na conversa familiar. Tudo bem longe do tempo do relógio, que na praça o tempo é que nem a toalha: se estica, se espraia, perde a borda.

E tem pão quentinho, tem berinjela temperadinha, tem bolo de banana, sanduichinho de ovo, café quentinho, chá, suco de buriti (delicioso!)... E tem a compota da Chus que, juro para vocês, é tão luminosa que parece que ela colheu a manhã ensolarada, misturou com açucar e guardou lá dentro. E tem tanto cuidado e carinho, nas farinhas, ovos, frutas, nos óleos, no açucar e no sal... A gente sai do piquenique satisfeito - de barriga e coração quentinhos.

E é por isso que eu falei de Reserva. Sabe num dia que nem hoje? Cinzento, chuvoso, de caos no trânsito? Então. A cada piquenique a gente monta uma reservinha - da hora em que começa a se preparar à hora em que decide levantar acampamento - de luminosidade, quentura e paciência. E sabe naqueles dias de tristeza, em que o cinza é dentro da gente? Então. A alma acostumada a se esticar nos piqueniques cutuca o cinza, até a gente lembrar que a vida passa rápido - e que por mais funda que seja a melancolia, de repente tem um outro dia e a gente abre a janela, tira o pó dos móveis, bate as colchas e põe no forno alguma coisa que cheire até não deixar vestígio de sombra. E nos dias de absoluta solidão? A gente pode acorrer à reservinha de partilha, risadas, gritos infantis cheios de descobertas ou mesmo recuperar o silêncio de esticar o ouvido para ouvir melhor o grilo que se esconde na grama alta.

Nos piqueniques, a gente faz uma reservinha de vida bem vivida - com prazer, boa companhia e sem pressa. Partilhando uns minutinhos que viram horinhas de conversa, que viram dias inteiros de brincadeira, que viram meses de convívio e troca. Pra lembrar a gente de como é boa essa vida sem agenda.

14 de julho de 2010

Salada de trigo de quibe


É fria, fácil de comer e carregar, gostosa, sustenta e tem fibras - além de garra pra suportar um dia inteiro em temperatura ambiente sem estragar ou perder a pose. Pode ser feita um dia antes e, se sobrar, saiba que fica ainda melhor no dia seguinte, com sabor mais apurado, introjetado.
O segredo é não hidratar totalmente o grão. Vinte minutos bastam - para que o grão ainda tenha espaço para absorver o caldo do tempero. Assim, não só o grão fica temperado por dentro como a salada não fica aguada. Lá vai a receita arabicamente inspirada, aprofundada em casa e devidamente anotada para dividir com os piqueniqueiros de plantão. Se não tiver xarope de romã ou tamarindo, acrescente limão e um pouco de mel, melado ou açúcar. Geleia de tamarindo diluída com um pouco de vinagre também funciona.

Salada de trigo de quibe
2 xícaras de trigo de quibe
3/4 de xícara de nozes picadas (70 g)
1 xícara de uvas passas
1 xícara de cubinhos de salsão (125 g)
1 xícara de cebola roxa picada (100 g)
Umas 30 folhas de hortelã picadas
1 xícara de salsinha picada
2 pimentas dedo-de-moça sem sementes picadas
1/2 xícara de xarope de romã (ou de tamarindo - veja também aqui)
1/3 de xícara de azeite de oliva extra-virgem
2 colheres (chá) de sal
Coloque o trigo numa tigela e cubra com 2 litros de água. Deixe hidratar por 20 minutos. Escorra e esprema o trigo para sair toda a água livre. Coloque numa tigela e junte os outros ingredientes. Misture bem, tampe e guarde na geladeira até o momento de servir.
Rende: umas 20 porções

13 de julho de 2010

Sanduichinhos de ovo

Simples assim: pão, maionese e ovo. Adultos gostam de cortar o pão ainda quente, passar geleia, espalhar por cima uma pastinha disto ou daquilo ou uma fatia de patê. Mas crianças passam pela toalha do piquenique quase sempre correndo, dão uma beliscadinha e correm novamente para as brincadeiras. Por isto sanduichinhos sempre fazem sucesso entre elas e é aí que mães ardilosas tiram proveito, afinal entre duas fatias pão cabem tantas coisas que gostaríamos que nossos filhos comessem. De ovos a verduras refogadas e até feijão.
O da Fabiana Jardim foi de ovos. E pra piqueniques é bom usar maionese industrializada, que é pasteurizada - mais garantido. Poderia ser também manteiga ou um queijo cremoso, desde que grude uma fatia na outra. Assim, nem precisa embrulhar cada um separadamente. É só colocar tudo num pote plástico com tampa. Pode até ser preparado um dia antes. Veja aí, nas palavras da Fabiana:
O pão com ovo, apesar da tentação, fiz o mais básico possível para não espantar a meninada. A inspiração veio daquele post da Veronika sem misturar muitos temperos ao recheio e usando pão sem casca.
Sanduichinhos de ovos. Por Fabiana Jardim
Para 500 gramas de pão sem casa, usei 6 ovos cozidos, amassados e misturados com maionese e um pouco de sal. Se for repetir a dose, acho que faria um mais temperadinho, ao menos com cebolinha e mostarda, para os adultos.
Nota: sugiro que veja também o lindo post da Fabiana no blog dela, Noturnos Imperfeitos: Pão com Ovo

12 de julho de 2010

Compota de laranjinha kinkan



Mais uma receita da Chus, que faz sucesso no piquenique. Ela já levou a dois piqueniques e a sobra no vidro é disputada. Da primeira vez, eu levei pra casa e o Marcos devorou nos dias seguintes, com pão caseiro. Neste último encontro a sortuda foi a Fabiana. Feita com as laranjinhas do quintal campineiro da Marina, filha da Chus, imagino que além de ser um ótimo item para piqueniques a geleia possa ser diluída, em casa, com um pouco de suco de laranja e virar uma calda para servir sobre bolos e pudins. Mas, vamos ao texto da própria Chus, que explica a criação, a partir de outra receita, modificando quase nada ...
"Esta receita adaptei do livro Pequenos almoços, da coleção Cordão Bleu. Mas eles colocam a mesma quantidade de açúcar que de laranja e eu acho que não dá certo. Também mandam colocar gim e eu coloco conhaque; a quantidade de água que eles mandam colocar eu também modifiquei. Os tempos deles eu não me ajeitei muito bem, então modifiquei mais um pouco. Bom, vamos lá!"
Compota de laranjinha kinkan - por Maria Carbajal (Chus)
1 Kg de laranjinhas kinkan
700 g de açúcar
1 dose de conhaque (1 copinho desses que usa pra tomar cachaça, não muito cheio)
½ litro de água
Tem que lavar bem as laranjinhas, depois precisa cortar em fatias bem fininhas. Eu não tiro os caroços, mas quem não gostar pode tirar, reservar e depois amarrar num paninho e colocar dentro da panela (no fim pode jogar fora), porque eles dão um gostinho; por outro lado eu acho que os coitadinhos dos caroços nunca fizeram mal pra ninguém e ficam legais na geléia. As laranjinhas tem que ser cortadas sobre uma superfície (uma tábua ou coisa assim) que permita aproveitar o suco. Uma vez cortadas, colocar as fatias numa tigela desta forma: uma camada de laranja, uma camada de açúcar e assim até terminar. Cobrir com um pano e deixar descansar até o dia seguinte. No outro dia, a laranja deve ter soltado bastante suco e o açúcar deve estar quase transparente e cheiroso. Colocar a mistura de laranja e açúcar numa panela, colocar a água e mexer com carinho (pode não colocar toda a água de uma vez e deixar um pouco pra colocar mais no fim). Colocar no fogo baixo, tem que ir mexendo pra não grudar. Quando começar a ferver, aumentar um pouco o fogo e vai deixando engrossar (pouco mais de meia hora). Durante esse tempo é melhor não mexer muito, só um pouquinho em caso de necessidade. Quando estiver quase no ponto, tirar do fogo e colocar o conhaque, mexer um pouco e voltar pro fogo até dar o ponto (o ponto é o ponto de geléia mesmo, aquele que faz fiozinho entre os dedos, ou que quando coloca um pouquinho num pires gelado não espalha muito e forma uma película que fica enrugada quando se empurra com o dedo). Quem não estiver segura, é só deixar esfriar e verificar como está, se não estiver no ponto que a pessoa gosta é só levar mais um pouco ao fogo. Não é muito ortodoxo, mas a geléia também fica boa. Depois de ter dado o ponto, deixar esfriar e colocar nos vidros. Eu guardo na geladeira, dura 2 meses. Mas também pode fazer conserva. Chus

9 de julho de 2010



Os bolos da Fabiana sempre fazem sucesso nos piqueniques e este, então, foi unanimidade. Uma crostinha mais dourada no fundo fazia lembrar aqueles bolos assados na lenha. Tem uma textura apudinzada e cremosa e que se mantém úmida - que o torna ideal pra ser feito um dia antes do piquenique sem o risco de ressecar. E ainda tem o contraste com o crocante das nozes. Vale a pena provar.
O legal também é que este bolo rende uma forma grandona ou umas duas ou três pequenas, de modo que você pode embrulhar pedaços grandes e congelar, pra ir liberando no lanche das crianças aos poucos. Ou já congele embrulhado individualmente.

Bolo de abóbora - De Fabiana Jardim, aprendida com a amiga Eliane Muniz

3 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
3 xícaras de açúcar
1 xícara de nozes ou castanha do pará moída
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 colher (sopa) de fermento químico em pó
2 colheres (chá) de canela
3 xícaras (mais ou menos 1 kg) de abóbora seca cozida e espremida
1 xícara de óleo
2/3 de xícara de água
4 ovos
2 xícaras de uva passa

Numa tigela junte a farinha, o açúcar, as nozes ou castanhas, o sal, o bicarbonato, o fermento e a canela. Reserve. No liquidificador, bata a abóbora, o óleo, a água, o ovo e metade da uva passa. Misture com os ingredientes secos e junte a uva passa restante. Misture bem até se transformar em uma massa homogênea. Despeje em formas untadas, leve ao forno pré-aquecido médio e deixe assar por cerca de 40 minutos ou até ficar com a superfície dourada.
Rende: uns 45 pedaços

Nota: você pode bater as duas xícaras de uva passa com a abóbora, como pede a receita original; deixar as duas xícaras para juntar sem bater; ou optar pelo meio termo, como está aqui.

8 de julho de 2010


Como disse ontem, uma marmita do marmiteiro foi ocupada pelo bolo de fubá, daqueles feitos sem frescuras, claras em neve ou batedeiras. É só misturar tudo e colocar na marmita ou numa forma qualquer para assar. E fica macio, macio. A receita já dei no Come-se e mostrei que você pode, inclusive, deixar os ingredientes secos já misturados, como se fossem misturas prontas para bolo de caixinha. Aí é só juntar leite, óleo e ovo, misturar e assar - até criança faz.
Bolo de fubá
2 ovos
1/2 xícara de óleo
1 xícara de leite
1 xícara de fubá amarelo
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de açúcar
1 colher (café) de sal
½ colher (sopa) de fermento
1 colher (chá) de erva-doce
Coloque numa tigela todos os ingredientes e misture bem com colher de pau, mixer, batedor de arame ou até batedeira, se quiser, até a massa ficar homogênea. Coloque numa marmita (ou forma pequena de buraco no meio), bem untada com manteiga e enfarinhada, e leve para assar em forno médio por cerca de meia hora ou até crescer e dourar (um pouquinho de queijo ralado polvilhado por cima vai bem). A massa é densa, então pode receber pedacinhos de queijo e/ou de goiabada.
Rende: 20 pedaços